O Abraço (Lisboa, 2008)

Como abraçar o mar?

Sinto velas a dançar ao vento, 

brisas a unir montanhas.


Sim, erigi-as eu, 

num longo e paciente

enredo, com a diligência e

o sonho de um velho artífice.


Erigi-as altas e brancas,

enquanto te buscava 

caído e levantado por 

entre 

intermináveis e solitários

ventos e mares, chuvas e luares.

 

Não sei já quantas vezes soletrei o nome 

da tua alma às estrelas,

bradei pelos teus beijos às brisas suaves

na intimidade da minha silenciosa solidão.


O peregrino no caminho para as estrelas.

Viver sem acreditar, é só ter da vida

o ar, é viver sem respirar, é abraçar

sem amar.


Abro o peito com a largura de cem caravelas

e com a inconsciência de uma criança,

banho-me nas vagas imponentes

do mar, sinto a força das ondas no 

epicentro do ser.

Batem forte como rochedos. 

Cospem como bichos.

Ardem como o sol

quando me abraças.


 

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