Como abraçar o mar?
Sinto velas a dançar ao vento,
brisas a unir montanhas.
Sim, erigi-as eu,
num longo e paciente
enredo, com a diligência e
o sonho de um velho artífice.
Erigi-as altas e brancas,
enquanto te buscava
caído e levantado por
entre
intermináveis e solitários
ventos e mares, chuvas e luares.
Não sei já quantas vezes soletrei o nome
da tua alma às estrelas,
bradei pelos teus beijos às brisas suaves
na intimidade da minha silenciosa solidão.
O peregrino no caminho para as estrelas.
Viver sem acreditar, é só ter da vida
o ar, é viver sem respirar, é abraçar
sem amar.
Abro o peito com a largura de cem caravelas
e com a inconsciência de uma criança,
banho-me nas vagas imponentes
do mar, sinto a força das ondas no
epicentro do ser.
Batem forte como rochedos.
Cospem como bichos.
Ardem como o sol
quando me abraças.
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