ASAS DE CONDOR (Lisboa, 2009)

Asas de condor. Eis o que me faz falta. Umas asas largas como o horizonte, que abram e fechem como sonhos perdidos no mar. Asas que sirvam para tudo e para nada. Sim, se tivesse asas ia com elas para a praia e usava-as como guarda-sol. Das penas velhas fazia almofadas. Nos dias de frio usava-as como cobertor. E voava. Voos sem fim, a sobrevoar oceanos, florestas, cidades e aldeias. Veria o mundo todo com os meus olhos. Eis o que me faz falta. Umas asas de condor. Mas não tenho asas nem penso vir a tê-las. Restas-me pois tu. Restam-me os teus olhos, doces como brisas, os teus cabelos, onde me envolves num sonho eterno, as tuas mãos, onde me perco na imensidáo do silêncio. Não tenho asas. Mas encontrei-te a ti.

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